segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ser ou não ser, eis a questão!

Houve uma época em que era complicado parecer. Naquela época, muitos eram, mas evitavam parecer ser, porque os que pareciam ser, colocavam a cabeça a prêmio. Os tempos mudaram. E ser passou a ser permitido. Embora isso possa parecer um contra-senso, o sistema mudou, passou daquilo que os que queriam ser apregoavam - uma ditadura - para uma democracia.

Todos puderam finalmente sair do armário e serem e, mais do que isto!, parecerem ser, tanto aqueles que na época já eram, assim como os que não eram, mas que sabiam que os outros achariam muito legal os que naquela época eram - ou que pareciam ser. Agora era só vestir a fantasia de serem, numa época em que passou a ser permitido serem.

Os que lutavam para implantar um regime em que todos sao compulsoriamente obrigados a ser, não puderam obrigar todos a serem, mas puderam ser livremente e a parecerem ser também. Enfim, livres para serem, continuaram sendo. Os que não eram, mas achavam legal parecer ser, começaram a aparecer e parecer serem.

Assim ficamos com dois grupos: um pequeno grupo daqueles que corajosamente eram, e agora que era fácil ser, continuavam sendo; e um grande grupo, daqueles que não eram, e agora que se tornou fácil ser, optaram por parecerem ser o que em verdade não são.

Sabe o que mais? Esse assunto já era... 

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ainda o seqüestro

O que a maioria da população não sabe é que existe um "jogo de beleza" entre as polícias civis e militar para ver quem é mais competente do que quem. Mas não espere que essa disputa seja uma disputa positiva, muito antes pelo contrário, ela compromete totalmente o atendimento da populaçao.

As organizações foram separadas nos dois grandes ramos da segurança pública: a polícia preventiva, que como o nome diz tem a função de prevenir a ocorrência dos crimes; e a polícia repressiva, que atua depois da ocorrência dos crimes e visa responsabilizar os autores dos delitos.

Em teoria tudo devia funcionar perfeitamente, com cada uma das organizações fazendo a sua parte, a polícia militar no seu policiamente preventivo - rondas, barreiras de fiscalização, etc. -, e a polícia civil trabalhando nos inquéritos com o objetivo de dar início ao processo que visa penalizar os autores dos delitos.

Mas não funciona, principalmente porque uma quer "meter a mão no serviço da outra". Esse caso do sequestro no interior do São Paulo é emblemático. O seqüestro é um crime que inicia quando o seqüestrador captura o seqüestrado. Já não há mais prevenção a ser feita - que seria no sentido de evitar que o sequestro acontecesse -, o trabalho é repressivo, liberar os reféns e prender o sequestrador.

Mas a polícia militar, apesar da menor experiência no trato do assunto, não "abriu mão" da tarefa para quem era mais competente - nos dois sentidos do termo, o legal - no sentido da organização legalmente encarregada de tratar o assunto -, e mais competente para lidar efetivamente com o problema.

Resultado: deu no que deu...  

domingo, 19 de outubro de 2008

Ética

É utopia querer mudar comportamento ético via regulação de comportamento. Ética é fundamento, que adquire-se com a educação e o exemplo; é comportamento individual que independe de leis, é agir corretamente por decisão pessoal, regulado apenas pela consciência.

Não se muda o padrão ético de uma comunidade pela regulação das condutas, mas pela melhor formação dos seus individuos.  O fazer o certo apenas porque é certo diz respeito a ética. O fazer o certo pelo medo das sanções legais diz respeito à moral e aos costumes, ao social. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

2020A.D.

O ano é 2020ad, um nome escolhido ao acaso e não por que se espere algum acontecimento especial no ano 20 do século XXI. Tanto quanto eu sei ele é apenas um número interessante: 2020, dois mil e vinte. Ele não tem o peso de um ano 2000, quando ocorreu a virada do milênio, para o qual se esperava tanto e não aconteceu absolutamente nada. Até mesmo o esperado bug do milênio falhou!