terça-feira, 21 de outubro de 2008
Ainda o seqüestro
O que a maioria da população não sabe é que existe um "jogo de beleza" entre as polícias civis e militar para ver quem é mais competente do que quem. Mas não espere que essa disputa seja uma disputa positiva, muito antes pelo contrário, ela compromete totalmente o atendimento da populaçao.
As organizações foram separadas nos dois grandes ramos da segurança pública: a polícia preventiva, que como o nome diz tem a função de prevenir a ocorrência dos crimes; e a polícia repressiva, que atua depois da ocorrência dos crimes e visa responsabilizar os autores dos delitos.
Em teoria tudo devia funcionar perfeitamente, com cada uma das organizações fazendo a sua parte, a polícia militar no seu policiamente preventivo - rondas, barreiras de fiscalização, etc. -, e a polícia civil trabalhando nos inquéritos com o objetivo de dar início ao processo que visa penalizar os autores dos delitos.
Mas não funciona, principalmente porque uma quer "meter a mão no serviço da outra". Esse caso do sequestro no interior do São Paulo é emblemático. O seqüestro é um crime que inicia quando o seqüestrador captura o seqüestrado. Já não há mais prevenção a ser feita - que seria no sentido de evitar que o sequestro acontecesse -, o trabalho é repressivo, liberar os reféns e prender o sequestrador.
Mas a polícia militar, apesar da menor experiência no trato do assunto, não "abriu mão" da tarefa para quem era mais competente - nos dois sentidos do termo, o legal - no sentido da organização legalmente encarregada de tratar o assunto -, e mais competente para lidar efetivamente com o problema.
Resultado: deu no que deu...
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